Lançamento de “As Outras Vítimas” foi um sucesso

Capa As Outras Vítimas

O lançamento do livro “As Outras Vítimas: Relatos inéditos das vidas atingidas pelo processo Casa Pia“, de Marta Cruz, ficou marcado por momentos de alguma emoção e lágrimas, mas também por sorrisos de felicidade. Afinal era um dia especial para a filha do “Sr. televisão”.

Com muitas caras conhecidas presentes, muitos amigos e alguns “anónimos” que nunca deixaram e apoiar a família Cruz ao longo dos quase nove anos que passaram desde o início do processo Casa Pia, o evento, realizado na Fnac do C. Colombo, foi um sucesso. Aproveitamos para, mais uma vez, agradecer a participação da Maria João Fialho Gouveia e desejamos todo o sucesso para a Marta.

DSC 2720

DSC 2747

DSC 2774

DSC 2769

DSC 2795

 

 

Balanço da Feira do Livro de Lisboa 2011

ImageTerminou no Domingo a Feira do Livro de Lisboa, edição 2011. Foi apenas o nosso segundo ano de presença na Feira, desta vez com um pavilhão duplo em vez de dois simples, juntando as nossas chancelas Booksmile, Nascente e Vogais.

Já venho um pouco atrasado para escrever o nosso balanço e análise, mas aqui fica.

1. Números

Este ano a feira não teve direito a uma semana de prolongamento, como no ano passado, porque não fez tanto mau tempo. Ainda assim, o nosso volume de vendas manteve-se praticamente inalterado (menos 0,5% de receita de caixa – terei todo o prazer em revelar o valor aos editores que mo peçam).

O objectivo do pavilhão centrou-se prioritariamente em promoções de preço (para títulos descatalogados), e secundariamente em colecções best-sellers. Isso traduziu-se em descontos sobre o PVP original que variaram entre 10% (para as colecções conhecidas e best-sellers) e 92% (para 2 títulos que colocámos a 1€).

O PVP médio ponderado foi de 8,14€, incluindo um desconto médio ponderado de 35%.

O top 10 de vendas em quantidade foi constituído por 5 títulos com 10% de desconto e 5 títulos com 55% a 92% de desconto. O top 10 de vendas em valor foi constituído por 6 títulos com 10% de desconto e 4 títulos com 55% a 70% de desconto.

Isto quer dizer o seguinte, e é assim que eu analiso a atitude de consumo dos visitantes da Feira:

Os visitantes ou compram títulos conhecidos sem olharem ao desconto, ou compram títulos desconhecidos se tiverem grandes descontos.

No meio destes dois extremos, o papel do desconto tradicional de 20% torna-se meramente simbólico como caracterizador do lado discount da Feira. E por isso é que a hora H funciona, devido ao grande desconto que dá.

2. Análise

Para uma editora, a Feira do Livro de Lisboa (e a do Porto) servirá para um ou mais destes objectivos:

  1. Obter receitas e lucros
  2. Liquidar títulos descatalogados
  3. Fazer montra dos títulos
  4. Aproximar os autores dos leitores
  5. Mostrar-se
  6. Ajudar a promover o livro em geral

Para nós, se não fosse o último ponto, a Feira não teria razão de ser. A Feira representa apenas 1% a 2% das nossas vendas e lucros anuais, que não compensam a perda de vendas sofrida pelo retalho nem o antagonismo com que ele retribui. A Feira não tem tráfego suficiente para escoar os monos. E a Feira não é o meio mais eficaz, em termos de custo por contacto e de recordação, de publicitar os nossos títulos e fazer chegar os autores junto dos leitores.

A minha conclusão é que só nos interessa participar nas Feiras do Livro de Lisboa e do Porto se ajudarem a promover o livro em geral. Não por cada editora a promover os seus títulos e autores, mas por todas as editoras a promoverem o livro em geral.

A Feira não deve ser uma feira, deve ser uma festa.

Uma festa, porque serve para estimular o aumento sustentado do consumo de livros, começando com as crianças que vão em visitas de estudo organizadas à festa. Uma festa que contribui para aumentar o valor do mercado do livro – que contribui para que haja mais procura de livros em geral, e com isso vender-se-ão mais livros em geral, e o retalho venderá mais livros, e nós venderemos mais livros (no retalho, não na feira).

No entanto, por ser uma festa cara, admito que só conseguimos participar nela se houver uma componente de feira para fazermos vendas directas ao público. E até aceito que os maiores grupos editoriais, para poderem investir mais na festa, criem autênticas lojas que multiplicam o seu potencial de vendas em relação aos pavilhões mais tradicionais, mas que são elas próprias, pela animação permanente, festas.

Nesta perspectiva, pelos benefícios indirectos para todo o mercado e não pelos directos para a editora, a festa vale a pena. A FESTA, não a Feira!

Congresso do Livro em Outubro nos Açores

É a APEL que o diz na sua newsletter: Congresso do Livro em Outubro nos Açores. Boa – quando é que tinha sido o último?

O único problema é que, na mesma newsletter, um resumo de um levantamento do mercado editorial feito pela consultora DBK indica que o sector tem estado a contrair e vai continuar pelo mesmo caminho negativo, tendo tido uma rentabilidade das vendas de 0,1% em 2009. Assim não vamos lá (nem aos Açores).

Tuning literário na Póvoa

À sexta-feira, a sexta mesa redonda das Correntes. Escolhemos um momento memorável (entre vários): Alberto Torres Blandina trouxe um PowerPoint de papel para defender que a arte no século XXI tem objectos em excesso, e que a responsabilidade dos escritores é hoje abraçar os textos do passado e dar-lhes um novo presente, rescrevendo-os. O “tunning literário” que alguns já tentaram, com ou sem sucesso, e que nos falta (será verdade?) experimentar em Portugal.

Sem distinção

No início da quinta mesa redonda do Correntes D’Escritas, Mário Zambujal explicou, com o seu humor habitual, que neste evento encontra sempre amigos e gente boa, independentemente do seu papel no mundo editorial. Esta é uma sensação partilhada por todos os que por aqui passam: autores, editores, jornalistas e leitores pisam todos o mesmo chão, não existem estrados ou lugares exclusivos.

As noites são vividas no bar do hotel que se veste, nestes cinco dias, de quartel-general das Correntes. Sem distinção entre quem escreve, quem edita, quem publica, quem lê, quem promove e quem observa com olhar de jornalista. A fotografia retrata um pedaço deste convívio:

(da esquerda para a direita: Maria João Machado, Porto Editora; Luis Ricardo Duarte, Jornal de Letras; Paulo Gonçalves, Porto Editora; Sara Figueiredo Costa, Cadeirão Voltaire, Revista Ler; Nuno Seabra Lopes, Booktailors; e Inês Bernardo, semanário Sol)

Uma feira do livro entre mesas redondas e lançamentos

Nas Correntes D’Escritas não podia faltar uma pequena feira do livro. Fica num anexo ao auditório municipal – onde decorrem as mesas redondas -, e é passagem obrigatória para leitores, escritores e editores, que procuram os livros desta edição, novidades que ainda não chegaram às livrarias, e títulos de edições passadas. Tal como as mesas redondas, também a feira costuma estar repleta de visitas.

Começar antes da escrita

Na primeira mesa redonda de quinta-feira, seis escritores partiram do mote dado pelo verso de Luis Quintais e imaginaram o que principia antes da escrita. “Um desafio esfíngico”, afirmou Maria João Martins. Entre muitas outras, retivemos duas ideias:

“A magia da escrita é a arte do embuste” (Miguel Miranda); e “Os escritores não pensam nos leitores quando escrevem; mas o leitor escreve um livro diferente ao lê-lo, é tão romancista como o romancista” (João Paulo Cuenca).

Gerou-se, pois então, uma saudável batalha entre leitores e autores, como referiu alguém na assistência. E os editores presentes na sala sorriram: é para o triunfo desta batalha que trabalhamos.

A caminho das Correntes

Daqui a pouco, partimos para a Póvoa de Varzim. Destino: a edição de 2011 das Correntes d’Escritas.

Vamos estrear-nos no elogiado encontro de escritores, leitores e editores, conhecer a magia de que tantos falam.

Até sábado, prometemos partilhar com os nossos leitores alguns pedaços desta nossa visita ao Norte: abriremos uma pequena janela para o evento e os seus protagonistas. Até breve!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...