Se é escritor, tem de se promover

O artigo mais popular do blogue da nossa chancela irmã Booksmile é, de longe, este: Quer editar um livro? Pergunte-me como. Escrito há mais de dois anos, continua a gerar comentários e emails, a que vamos respondendo. O que esse artigo não diz, contudo, é que um dos fatores na decisão de publicar um manuscrito é a capacidade e a vontade de o autor se promover e promover o livro.

O artigo que se segue versa este tema e é da autoria de Erik Deckers, especialista em personal branding. Traduzimo-lo para que você, escritor ou escritora, não tenha mais desculpas para dizer que o seu livro deve ser avaliado por si mesmo e você deve ficar na penumbra.

 

Os escritores odeiam marketing. Pelo menos a maioria deles odeiam. Odeiam promover-se, odeiam falar sobre si mesmos, odeiam chamar a atenção sobre si seja de que maneira for e a que hora for. Odeiam sempre.

Sem-pre.

Os escritores – na sua maioria – são humildes, e não gostam de se “gabar” a si mesmos. É claro que, para eles, “gabar-se” é dizer às pessoas que acabaram de publicar um livro, ou que saiu um novo artigo numa revista, ou, em alguns casos, que são mesmo escritores.

Se você é um escritor que não quer dizer às pessoas que você é um escritor, então você não é um escritor; você é um datilógrafo, um escrevinhador, um enche-páginas. Você precisa de se superar. Se você acha que não deve promover-se porque o seu trabalho deveria falar por si mesmo, então eu tenho uma pergunta muito importante para si:

Pode trazer-me um café?

Se você não se está a promover como escritor, você não vai ser lido pelas outras pessoas. É tão simples como isso. Ninguém vai bater ao acaso à sua porta e perguntar se você tem uma coletânea de contos ou de artigos que possam ler. Ninguém vai começar a clicar em links ao calhas pela web na esperança de encontrar o próximo grande romance.

Os escritores escrevem, mas não para encher páginas com rabiscos engraçados. Escrevem para serem lidos. Escrevem para partilhar com as pessoas os seus pensamentos e ideias. Escritores que se escondem por detrás da história de que “eu sou um escritor, não sou um vendido” jamais serão descobertos, exceto por acidente ou com muita sorte.

“Mas o meu trabalho deve ser julgado pelo seu próprio mérito, e não por eu me andar a insinuar junto das pessoas”, diz quem não se quer promover.

Tudo bem, terei todo o gosto em lê-lo e julgá-lo pelo seu próprio mérito. Diga-me onde encontrá-lo.

A Amazon está cheia de autores que consideram que os seus livros devem ser julgados pelo mérito e não pela promoção. Na verdade, a Amazon vende mais de 8 milhões de títulos e classifica os autores. Classifica os autores com base nas vendas e não pelo mérito. Nem pela qualidade da escrita. Nem pelo princípio do autor de não contar a ninguém sobre o seu livro. Para a Amazon, só conta o dinheiro, e para os autores também.

Se você escrever só para si, então eu invejo-o. É ótimo que você escreva como um hobby, estritamente pelo prazer. Mas se você quiser ser um escritor profissional, tem de se promover. Tal como qualquer outro negócio, fazer promoção gera vendas. Não fazer promoção perde vendas. Se você quiser ganhar dinheiro como escritor, você vai ganhar dinheiro falando sobre o seu trabalho, não se escondendo atrás da pureza artística.

Eu escrevo esta coluna não apenas porque tenho conhecimentos que quero compartilhar, mas porque quero que as pessoas saibam quem sou. Aderi ao Twitter não apenas para comunicar com outras pessoas nas redes sociais, mas para encontrar leitores para o meu blogue. Eu promovo o meu blogue não apenas para me sentir como peixe graúdo, mas para ganhar clientes para o meu negócio, ou levar as pessoas a contratarem-me para palestras.

Se eu não fizesse nada disto, o meu blogue original ainda teria 20 leitores por mês, todos eles já conhecidos. Eu não teria livros, eu não teria leitores e, mais importante, eu não estaria a fazer o que adoro fazer.

Se você é um escritor, você deve, a si e à sua paixão, dizer às pessoas quem você é, para encontrar leitores e colegas escritores, e deixar que o fiquem a conhecer. Se souberem quem você é, irão gostar de si. Se gostarem de si, irão lê-lo e comprar os seus livros.

Portanto: quanto mais pessoas o conhecerem, mais livros você vai vender, e você vai começar a ganhar a vida a fazer o que você gosta de fazer.

Mas se você não está disposto a fazer isso por si mesmo, então só tenho mais uma coisa a dizer-lhe:

Pode trazer-me também um queque de chocolate?

Erik Deckers é coautor de Branding Yourself: How to Use Social Media to Invent or Reinvent Yourself e de No Bullshit Social Media: The All-Business, No-Hype Guide to Social Media Marketing.

(Tradução Vogais. Via Blogtailors)

Congresso do Livro em Outubro nos Açores

É a APEL que o diz na sua newsletter: Congresso do Livro em Outubro nos Açores. Boa – quando é que tinha sido o último?

O único problema é que, na mesma newsletter, um resumo de um levantamento do mercado editorial feito pela consultora DBK indica que o sector tem estado a contrair e vai continuar pelo mesmo caminho negativo, tendo tido uma rentabilidade das vendas de 0,1% em 2009. Assim não vamos lá (nem aos Açores).

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