Tuning literário na Póvoa

À sexta-feira, a sexta mesa redonda das Correntes. Escolhemos um momento memorável (entre vários): Alberto Torres Blandina trouxe um PowerPoint de papel para defender que a arte no século XXI tem objectos em excesso, e que a responsabilidade dos escritores é hoje abraçar os textos do passado e dar-lhes um novo presente, rescrevendo-os. O “tunning literário” que alguns já tentaram, com ou sem sucesso, e que nos falta (será verdade?) experimentar em Portugal.

Sem distinção

No início da quinta mesa redonda do Correntes D’Escritas, Mário Zambujal explicou, com o seu humor habitual, que neste evento encontra sempre amigos e gente boa, independentemente do seu papel no mundo editorial. Esta é uma sensação partilhada por todos os que por aqui passam: autores, editores, jornalistas e leitores pisam todos o mesmo chão, não existem estrados ou lugares exclusivos.

As noites são vividas no bar do hotel que se veste, nestes cinco dias, de quartel-general das Correntes. Sem distinção entre quem escreve, quem edita, quem publica, quem lê, quem promove e quem observa com olhar de jornalista. A fotografia retrata um pedaço deste convívio:

(da esquerda para a direita: Maria João Machado, Porto Editora; Luis Ricardo Duarte, Jornal de Letras; Paulo Gonçalves, Porto Editora; Sara Figueiredo Costa, Cadeirão Voltaire, Revista Ler; Nuno Seabra Lopes, Booktailors; e Inês Bernardo, semanário Sol)

Uma feira do livro entre mesas redondas e lançamentos

Nas Correntes D’Escritas não podia faltar uma pequena feira do livro. Fica num anexo ao auditório municipal – onde decorrem as mesas redondas -, e é passagem obrigatória para leitores, escritores e editores, que procuram os livros desta edição, novidades que ainda não chegaram às livrarias, e títulos de edições passadas. Tal como as mesas redondas, também a feira costuma estar repleta de visitas.

Começar antes da escrita

Na primeira mesa redonda de quinta-feira, seis escritores partiram do mote dado pelo verso de Luis Quintais e imaginaram o que principia antes da escrita. “Um desafio esfíngico”, afirmou Maria João Martins. Entre muitas outras, retivemos duas ideias:

“A magia da escrita é a arte do embuste” (Miguel Miranda); e “Os escritores não pensam nos leitores quando escrevem; mas o leitor escreve um livro diferente ao lê-lo, é tão romancista como o romancista” (João Paulo Cuenca).

Gerou-se, pois então, uma saudável batalha entre leitores e autores, como referiu alguém na assistência. E os editores presentes na sala sorriram: é para o triunfo desta batalha que trabalhamos.

A caminho das Correntes

Daqui a pouco, partimos para a Póvoa de Varzim. Destino: a edição de 2011 das Correntes d’Escritas.

Vamos estrear-nos no elogiado encontro de escritores, leitores e editores, conhecer a magia de que tantos falam.

Até sábado, prometemos partilhar com os nossos leitores alguns pedaços desta nossa visita ao Norte: abriremos uma pequena janela para o evento e os seus protagonistas. Até breve!

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